Linha_2

16/05/2025

Linha 2

Convivência pedagógica e intergeracional

Coordenadoras: Profa. Dra. Meire Cachioni e Profa. Dra. Eliza Mattosinho Bernardes 

     As relações interpessoais têm passado por transformações profundas nas últimas décadas, afetando todas as suas manifestações nos diferentes espaços de convivência. Mudanças nos modos de organização da sociedade e nas relações de convívio, a expansão das redes sociais, a ampliação do acesso à informação e a consolidação de identidades tanto individuais quanto coletivas colocam a escola diante de um novo desafio: o de rever os modos de ação instituídos e de encontrar novos caminhos para ressignificar as relações entre os sujeitos envolvidos no processo educativo. Trata-se de uma pauta de grande relevância, que impacta diretamente a finalidade da escola na sociedade contemporânea. De natureza interdisciplinar, essa temática relaciona-se ao currículo escolar (segundo a perspectiva investigada pela linha 5) considerando a necessidade do desenvolvimento integral dos alunos, não mais como uma ampliação do tempo na escola, mas como uma necessidade de se considerar as dimensões afetivas, volitivas e cognitivas na formação humana.

     Tal concepção está diretamente relacionada ao entendimento de convivência pedagógica, definida como uma dimensão central do processo educativo. Esta descrição introduz dois elementos centrais que sustentam as pesquisas realizadas pela linha 2: a convivência escolar, que abrange as relações que ocorrem na escola e a convivência pedagógica, que se refere ao processo de ensino e de aprendizagem. 

Pesquisadoras associadas:

  • Prof. Dra. Bernadete Angelina Gatti  (FCC)
  • Ana Karina Amorim Checchia (FE / USP)
  • Ruth Caldeira de Melo (EACH/USP)

Considerando que a renegociação do “contrato social” que sustentava a escola ao longo de décadas passa a acontecer, num contexto marcado pela diversidade e pela interação entre diferentes gerações, esses conceitos se complexificam. Constitui-se desta forma os fundamentos da ideia de convivência intergeracional — uma abordagem necessária para pensar uma escola que não apenas transmita conteúdos, mas também que forme sujeitos capazes de construir relações significativas e transformadoras no presente e para o futuro.

      Paralelamente, uma outra transformação acontece: a escola, antes habituada a abordar problemas de natureza clássica e suas metodologias, tendo como fonte e referência o saber dos docentes, vê-se face a face com uma série de desafios contemporâneos. Entre eles encontra-se a cultura digital. Além do vasto conjunto de ferramentas tecnológicas incontornáveis (drives de documentos, redes de partilha de informação e de comunicação, espaços virtuais e compartilhados de trabalho, redes sociais), que transformaram profundamente o ensino, ela trouxe para o processo formativo, os elementos que a constituem enquanto cultura: um modelo de linguagem, comportamentos codificados ou ainda uma ampla gama de conhecimentos técnicos dominados pelos estudantes. Quanto aos docentes, face a esse “novo mundo” os mais bem adaptados ainda são “imigrantes digitais” segundo o termo já consagrado. Essa inversão das relações de poder e de conhecimento que precede o encontro professor – aluno e impacta na relação estabelecida entre eles é mais um elemento que aponta para a necessidade de revisitar toda a estrutura de relações que sustentam o trabalho da escola. No ensino superior, a realidade é quase indistinguível deste quadro e contém mesmo alguns elementos agravantes do problema.

      Nesse mesmo conjunto de referências, uma discussão semelhante pode ser utilizada como base para discutir o processo de plataformização da educação. Vendida como sendo uma necessidade imposta pela cultura digital atual, um passo na direção da modernidade, sua implementação passa pela atuação de docentes que pertencem a gerações distintas e seus efeitos geram mudanças hora consideradas como avanços, hora como retrocessos  (como é o caso discutido pela linha 5 da uniformização e o engessamento de currículos que deveriam ser co-construídos dentro do espaço de cada escola). Assim, a convivência pedagógica e intergeracional não se dá apenas entre os sujeitos, mas também entre estes e a cultura do outro, reforçando a necessidade de  compreensão do processo pedagógico em sua totalidade. 

    Nesse contexto, a escola enquanto promotora da convivência e de encontros planejados entre sujeitos de gerações distintas, torna-se um objeto de estudo, um espaço privilegiado de investigação em todos os níveis de ensino abarcados pela educação básica (a diminuição da diferença de idade entre os docentes e entre estes e os estudantes não reduz a distância entre as culturas). Estas considerações podem ser  transpostas para o ensino superior onde, mais uma vez, a realidade é quase indistinguível deste quadro. 

     Tais desafios demandam o desenvolvimento de estratégias pedagógicas próprias, adaptadas aos objetivos que se deseja atingir, construídas a partir da compreensão profunda do que é e como se organiza a convivência em todas as suas dimensões na escola. Esse é o projeto de pesquisa da linha 2. 

Palavras chave: convivência, sujeito, processos de ensino, escola, intergeracionalidade

Estudantes de graduação e pós-graduação:
  • Maria Paulina Berrido da
    Silva / Bolsista Fapesp – Doutorado (PIEC / USP)
  • Sabrina Akemi Oura (PIEC / USP)

Professores bolsistas

  • Eloisa Cristina Gerolin – SEDUC  / Bolsista Fapesp – EP4