USP_Escola

14/01/2026

Convenção de Cidadãos

USP Escola 2026

Crise Hídrica

Parte 1 - Conhecimento técnico e científico

1.Roda viva  José Renato Nalini

O Roda Viva entrevista o Secretário Municipal de Mudanças Climáticas de São Paulo, José Renato Nalini. https://www.youtube.com/watch?v=mzBZWwN2o-0 

A tempestade que atingiu São Paulo, esta semana, derrubou mais de 300 árvores e causou uma morte. Os temporais estão cada vez mais frequentes na capital paulista. As altas temperaturas também causam desconforto nos paulistanos. No último dia 2, os termômetros no Mirante de Santana, na zona norte, marcaram máxima de 34,8ºC. No verão, a média de referência para temperaturas máximas é de 28,7ºC. 

Para falar sobre o que podemos fazer e o que devemos esperar para um futuro próximo, o programa recebe o secretário.

Nesta edição, participam da bancada de entrevistadores: Denise Campos de Toledo, comentarista da TV Gazeta; Nadedja Calado, repórter da Rádio CBN; Bruno Teixeira, repórter da CNN Brasil; Felipe Garraffa, repórter e apresentador do Brasil Urgente, da Band; e Rodrigo Piscitelli, repórter da TV Cultura.

Com apresentação de Vera Magalhães, as ilustrações em tempo real são de Luciano Veronezi.

2.Mudanças climáticas e a crise hídrica no Brasil 

PontoDeVista https://www.youtube.com/watch?v=CWyiZ32KAsc 

O termo “mudança climática” está por toda parte. Saiu dos meios acadêmicos e, infelizmente, acertou em cheio o dia a dia da população. A seca extrema e o inverno calorento alertaram ou deveriam alertar os brasileiros para o fato de que o planeta é susceptível à ação humana e pode se transformar a ponto de tornar inviável a vida na terra. De acordo com estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, de 1961 a 1990, o número de dias consecutivos sem chuva por ano era em média de 80 a 85 dias. Nos anos mais recentes, subiu para cerca de 100 dias, especialmente nas áreas que abrangem o norte do nordeste e o centro do país. 

Isso significa agravamento dos impactos climáticos. Nada disso estava fora das previsões do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima, o IPCC, que também alertou para as altas temperaturas e o aumento da frequência das ondas de calor. 

Será que chegamos a um ponto de não retorno atmosférico? É possível deter o aquecimento global e reverter seus efeitos? O que fazer para melhorar as condições de vida diante dessa degradação do clima? Nesta edição do programa Ponto de Vista, nós conversamos sobre tudo isso com a professora de Ecologia da Universidade de Brasília (UnB), Mercedes Bustamante, que já integrou o IPCC e o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, o PBMC.

3. Water is love: Ripples of regeneration  

Sobre o poder de regenerar os ciclos da água e construir uma cultura do cuidar https://www.waterislovefilm.org/

Por meio de histórias inspiradoras de projetos bem-sucedidos, a ideia é estimular conversas e ações que contribuam para um mundo regenerativo e resiliente. Enquanto enfrentamos os crescentes impactos devastadores das mudanças climáticas e a falta de ações efetivas, este filme aponta para uma necessidade e possibilidade frequentemente negligenciadas: a gestão descentralizada da água, conduzida pela comunidade, como um elemento-chave para sobreviver — e prosperar — neste século.

How Water Makes Climate https://vimeo.com/923077768 

Este conteúdo é parte integrante do projeto do filme « Water is love » 

Como a água influencia o clima é uma animação original de 12 minutos que retrata a conexão crucial entre os ciclos da água e o clima. A animação mostra o que é um ciclo da água saudável e intacto, as consequências de sua destruição e como nosso ciclo da água quebrado pode ser restaurado. É uma animação envolvente e educativa que inspira os jovens a aprender sobre a importância da água e, com isso, também a agir em suas comunidades, como muitos já estão fazendo.

4.Crise da água – seca rios brasileiros e reduz disponibilidade hídrica em até 40%, diz pesquisa 

Seca pode afetar abastecimento e também afetar a capacidade de geração de energia no país Gabriel Garcia da CNN , Brasília 22/03/2024 às 11:57 https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/crise-da-agua-seca-rios-brasileiros-e-reduz-disponibilidade-hidrica-em-ate-40-diz-pesquisa/ 

5.ONU News Crise hídrica global lança países em busca por novas fontes de água 

Perspectiva Global Reportagens Humanas19 Janeiro 2024 https://news.un.org/pt/story/2024/01/1826487 

6. CNN – Crise global da água pode “ficar fora de controle”, alerta relatório da ONU 

Consumo excessivo e mudanças climáticas são principais vilões da crise hídrica; Número de pessoas que enfrentam escassez de água deve quase dobrar de 930 milhões em 2016 para 2,4 bilhões até 2050 26/03/2023 https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/crise-global-da-agua-pode-ficar-fora-de-controle-alerta-relatorio-da-onu/ 

7. Jardins de chuva: o que são e qual seu papel nas cidades? 

Mais baratos e fáceis de implantar do que os “piscinões”, eles mitigam parte dos impactos das chuvas e ajudam na regulação do microclima. Há pouquíssimos. Mas são essenciais dentro de um sistema de soluções urbanas baseadas na natureza OUTRAS MÍDIAS TERRA E ANTROPOCENO por O Eco Publicado 22/01/2025 às 17:29 https://outraspalavras.net/outrasmidias/jardins-de-chuva-o-que-sao-e-qual-seu-papel-nas-cidades/ 

8. Revista da câmara Municipal de São Paulo  Para não secar as fontes Crise hídrica 

Com leis, debates e investigações, Câmara participa da luta para solucionar problema da falta de água Rodrigo Garcia | Número 13 – Mar-Abr/2015 »  https://www.saopaulo.sp.leg.br/apartes-anteriores/revista-apartes/numero-13-mar-abr2015/para-nao-secar-fontes/ 

9. Portal dos mananciais – Situação cotidiana dos Mananciais

https://mananciais.sabesp.com.br/Situacao 

5. Alternativas para a vida com poucos recursos hídricos 

Repensar o modo de vida abrindo mão da ideia de abundância para integrar noções como a sobriedade e a subsistência são uma etapa necessária para refletir sobre a crise hídrica que já atinge os países mais ricos e tecnologicamente desenvolvidos no mundo. Por vezes, a solução não vêm do futuro e do desenvolvimento tecnológico mas de práticas ancestrais que precisam ser conhecidas, valorizadas e exploradas em uma ecologia de práticas que favoreça o convívio entre todas elas. 

  • Sertão pernambucano
  1. Produção agropecuária no semiárido brasileiro é tema do Rural Contemporâneo https://www.youtube.com/watch?v=duKI7Awd3kw 
  2. Agricultores de Pernambuco aprendem a produzir com pouca água – Com soluções simples e ajuda da cooperativa, produtores do sertão variam suas atividades: frutas, hortaliças e até peixes surgem onde só havia seca. 

Parte 2 - Conhecimento Interdisciplinar

1. Sarau de leituras 

Uma seção de leituras, encenadas ou não, utilizando textos clássicos que possam diversificar o olhar sobre a água. Mais do que um testemunho de tempos em que a relação com esse recurso era diferente daquela discutida na Convenção de Cidadãos, há textos que incorporam previsões assustadoramente realistas dos problemas enfrentados atualmente. Abaixo algumas sugestões de textos:

  • 100 anos de solidão 

Referência: 100 anos de solidão Gabriel Garcia Marques Record

Há trechos da obra que contam o calor extremo e a chuva sem fim na cidade mítica de Macondo.

  • Moby Dick

Referência: Moby Dick Hermann Melville 

Trechos sobre a relação entre o capitão e a baleia e sobre o próprio cetáceo e o mar. Outros trechos abordam as navegações e o período em que nada se sabia sobre os Oceanos. 

  • A incrível viagem de Shackleton: 

Referência: A incrível viagem de Shackleton – A mais extraordinária aventura de todos os tempos Alfred Lansing Editora. Sextante, 2022

Há trechos que evocam o comportamento da água, a força do gelo, a vida no continente gelado. O Endurance, que pertencia ao capitão inglês Shackleton, foi o primeiro navio que partiu para conquistar a Antártida em 1914 e afundou lá em 1915. O casco foi encontrado em 2022 e o livro foi construído a partir do diário de bordo dos marinheiros e do comandante. Um detalhe: todos saíram vivos após um longo caminho de volta. 

Há uma resenha do livro na forma de vídeo que pode ser acessada nesse link: https://www.youtube.com/watch?v=RC-4o4fk7Xs 

2. Relações profundas com a água 

Se para os seres vivos em geral a água é um bem essencial à sobrevivência, há culturas onde ela ocupa um lugar que vai muito além da utilidade e mesmo da subsistência. Explorar essas cosmovisões é identificar outras relações possíveis com aquilo que a água representa, um convite a ultrapassar o dilema: útil x inútil para os seres vivos. Abaixo algumas possibilidades de investigação:

  • Ciclos anuais dos povos indígenas do Rio Tiquié 

O ano para os povos indígenas do rio Tiquié, no Noroeste Amazônico, divide-se em várias estações, identificadas a partir da passagem de constelações astronômicas associadas a diversos processos ecossistêmicos e climáticos. O ano começa com a Enchente de Jararaca, no começo de novembro. Essa região é caracterizada por muita chuva distribuída por todo o ano, com alguns curtos períodos de estiagem. Os infográficos integram medições de nível do rio e a pluviometria, e as estações do ano informadas por pesquisadores indígenas desta região, assim como o nome das constelações astronômicas como identificadas pelos conhecedores Tukano.

https://ciclostiquie.socioambiental.org/pt/index.html 

https://www.youtube.com/watch?v=KQJVB62XX7g

3. Projetos de construção, protótipos e maquetes

Convidar os estudantes a produzir maquetes ou projetos que representem tecnologias ancestrais ou alternativas para manipulação da água, buscando compreender a aplicabilidade nos dias de hoje, os limites de cada proposta bem como o impacto provocado por elas no ecossistema.  

  • Captação, armazenamento e filtragem da água
  1. O engenhoso segredo da sobrevivência dos maias https://www.bbc.com/portuguese/vert-tra-58501797 
  2. Chinampas, os produtivos campos de cultivo dos astecas Blog: Ensinar História – Joelza Ester Domingues https://ensinarhistoria.com.br/chinampas-os-produtivos-campos-de-cultivo-dos-astecas/ 
  3. Uma análise das técnicas ancestrais de armazenamento de água em climas secos. Hugo Barros de Andrade. Bartolomeu Israel de Souza. DOI: https://doi.org/10.55905/revconv.17n.5-025
  • Estratégias low-tech

Há uma séries de projetos de tipo « Faça você mesmo » reunidos sob o termo « low tech » que podem ser descobertos pelos estudantes. Alguns podem ser reproduzidos, outros apenas apresentados, mas a simples descoberta destas soluções abre novas perspectivas quanto a como se relacionar com a água do ponto de vista pessoal e coletivo. Há projetos detalhados na Internet. Abaixo algumas sugestões: 

  1. Dessalinizador
  2. Filtro de areia
  3. Moringa oleifera – sementes que purificam a água

4. Arte 

A arte enquanto linguagem, enquanto modo de apreender o mundo, pode contribuir fundamentalmente com o desenvolvimento de novos modos de compreender a água e a crise hídrica. Abaixo algumas sugestões de materiais que podem ser utilizados com os estudantes:

  • Dançando na água

Julie Gautier é uma. artista e apneísta francesa. Ela homenageia as mulheres através de uma coreografia realizada integralmente embaixo da água. Sem efeitos especiais, apenas com o controle do próprio corpo, ela nos permite ver como a água modifica os movimentos e de que maneira ela impõem sobre o corpo humano a possibilidade de experimentar um outro mundo, com outras leis, dentro do nosso mundo. AMA é o nome desse filme. Significa « mulher do mar » em japonês e faz referência às trabalhadoras que coletam pérolas e conchas artesanalmente, sem utilizar equipamentos de mergulho. Essa é uma das muitas práticas milenares, quase extintas pelo modo de vida da sociedade atual. Segundo a artista, “As amas compartilham valores como apoio mútuo e amor pelo oceano. Com o filme, Julie conta que desejava dividir essa força das mulheres.

  1. Making off que deve ser assistido antes do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=CI85pzpki1M 
  2. AMA – o filme – https://www.youtube.com/watch?v=bdBuDg7mrT8 
  3. Outro filme semelhante que explora cenários marítimos entre o real e o imaginário https://www.youtube.com/watch?v=OnvQggy3Ezw&t=565s 

4. Geografia, arquitetura e paisagens 

As paisagens estão profundamente relacionadas à presença da água. Tanto no período de sua formação quanto na atualidade. Desse modo, uma crise hídrica provoca uma mudança profunda e exige a adaptação do modo de vida dos seres que ali habitam.

  • O deserto do Saara

Maior deserto seco do mundo, ele é bem diferente do que se pode imaginar. Há uma série de conteúdos na Internet sobre diferentes paisagens com pouco recurso hídrico. Eles permitem explorar outros modos de viver, habitar e alimentar-se. Um exemplo está aqui https://globoplay.globo.com/v/5086363/ ou https://g1.globo.com/sao-paulo/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/blog/do-mundo-para-o-interior-paulista-por-valeria-foz/post/o-relato-de-um-nomade-do-deserto.html 

  • Soluções arquitetônicas para a falta de água

O modo de construir pode ser um forte aliado, não apenas no controle da temperatura, mas também na preservação do recurso hídrico. A seguir dois caminhos para explorar o tema:

  1. O futuro da arquitetura https://www.archdaily.com.br/br/1002730/projetando-para-a-escassez-de-agua-como-a-arquitetura-esta-se-adaptando-a-ambientes-aridos 
  2. Métodos tradicionais – Explorando as cabanas vernaculares africanas: tecelagem como arquitetura social e bioclimática https://www.archdaily.com.br/br/1012691/explorando-as-cabanas-vernaculares-africanas-tecelagem-como-arquitetura-social-e-bioclimatica